22 de outubro, o longo pesadelo da Microsoft com
seus sistemas operacionais vai acabar. A empresa vai lançar o Windows
7, sistema operacional mais rápido e muito melhor do que o pouco
estimado Windows Vista, que prejudicou muito a reputação da fabricante,
e também a produtividade (sem falar na hipertensão) dos usuários.
Fabricantes de PCs vão inundar as lojas, tanto concretas como virtuais,
com novos computadores com o Windows 7 já instalado, e também
oferecerão o novo software aos usuários do Vista que desejam fazer
upgrade.
Com o Windows
7, os usuários de PCs terão, por fim, um sucessor forte e moderno do
Windows XP, sistema bem conhecido, mas já idoso, que continua sendo a
versão mais popular do Windows, embora lançado em 2001. No mundo da
alta tecnologia, um sistema operacional com oito anos de idade equivale
a um carro de vinte anos atrás. Embora o XP funcione bem para muita
gente, é relativamente fraco em áreas como segurança, trabalho em rede
e outros recursos que são muito mais importantes hoje do que quando o
XP foi criado, por volta de 1999.
Depois
de usar uma versão pré-lançamento do Windows 7 durante nove meses, e
testar intensamente a versão final no mês passado, em várias máquinas
diferentes, creio que esta é a melhor versão do Windows que a Microsoft
já lançou. É um impulso para a produtividade e um prazer para usar.
Apesar de alguns inconvenientes, posso recomendar com entusiasmo o
Windows 7 para o consumidor comum.
Tal como o novo sistema operacional Snow Leopard, lançado em agosto pela Apple,
a grande rival da Microsoft, o Windows 7 é um produto muito mais
evolucionário do que revolucionário. Seu principal objetivo era sanar
as falhas do Vista, e dar, finalmente, aos usuários do Microsoft XP uma
razão para fazer um upgrade. Mas o Windows 7 está repleto de recursos e
pequenas diferenças que tornam o uso do computador uma experiência mais
fácil e mais satisfatória.
O
Windows 7 oferece vantagens reais para organizar os programas e
arquivos, assim como a barra de tarefas e área de trabalho, e para
visualizar e abrir exatamente a página ou documento que você deseja,
quando você deseja. Também tem recursos controlados por tela sensível
ao toque.
Isso elimina
muita coisa que atravanca. E elimina, sobretudo, os principais defeitos
do Vista - lentidão; incompatibilidade com software e hardware de
terceiros; requisitos muito pesados de hardware; e avisos de segurança
constantes e irritantes.
Testei
o Windows 7 em 11 computadores diferentes, desde pequeninos netbooks
até laptops comuns e algumas máquinas de mesa. As marcas incluíram Lenovo, Hewlett-Packard, Dell, Acer, Asus, Toshiba e Sony.
Consegui até rodar o sistema em um laptop Macintosh da Apple. Em
algumas dessas máquinas o Windows 7 já estava previamente instalado; em
outras tive que fazer o upgrade de um Windows anterior.
Na
maioria dos casos a instalação levou 45 minutos ou menos, e o novo
sistema operacional trabalhou bem e com agilidade. Mas encontrei alguns
inconvenientes e problemas. Em duas ou três máquinas, a demora glacial
para iniciar ou reiniciar me lembrou o Vista. E em algumas outras,
depois do upgrade, recursos essenciais como a exibição em tela ou o
mouse tipo touchpad não funcionaram corretamente.
Outro
fator: o Windows 7 ainda exige instalar um software extra de segurança,
que precisa ser atualizado com frequência. Fazer o upgrade de um
computador do XP para o Windows 7 é um processo laborioso e tedioso, e
a variedade de edições em que o Windows 7 é oferecido causa confusão.
Por
fim, a Microsoft eliminou do Windows 7 aplicativos bem conhecidos que
já vinham incluídos, tais como e-mail, organizador de fotos, caderno de
endereços, calendário e programa de edição de vídeo. Eles podem ser
baixados gratuitamente, mas não vêm mais incluídos no sistema
operacional, embora alguns fabricantes de PC possam decidir instalá-los
previamente.
Nos
últimos anos eu, tal como muitos outros articulistas, argumentei que o
sistema operacional OS X do Macintosh é muito melhor que o Windows.
Isso não é mais verdade. Continuo dando ao Mac OS uma pequena vantagem.
Isso porque ele tem uma trajetória para o upgrade muito mais fácil e
mais barata; já vem com mais programas incluídos; e tem muito menos
vulnerabilidade aos vírus e outros programas prejudiciais, que são
criados, em geral, para atacar o Windows.
Mas
agora há uma situação muito mais equilibrada entre os dois rivais. O
Windows 7 é melhor que o Mac OS X em algumas áreas, tais como melhor
visualização prévia, melhor navegação diretamente da barra de tarefas;
organização mais fácil das janelas abertas na área de trabalho; e
controle por toque na tela. Assim, a Apple terá que lutar mais, agora
que sua grande vantagem - o Vista e seus defeitos - foi substituída por
uma versão do Windows confiável e elegante.
Eis alguns recursos importantes do Windows 7.
Nova barra de tarefas
No
Windows 7, a conhecida barra de tarefas ficou mais alta e foi
reinventada. Em vez de ser um lugar onde os ícones e as janelas abertas
aparecem temporariamente, agora se tornou um lugar onde você pode
"prender" permanentemente os ícones dos programas mais usados, em
qualquer lugar da barra, e na ordem que você escolher. É um conceito
tomado de empréstimo de um recurso semelhante da Apple, o Dock. Mas o
Windows 7 leva o conceito mais adiante.
Para
cada programa que está rodando, passar o mouse sobre o ícone faz surgir
acima dele uma telinha de visualização prévia. Essa idéia já estava no
Vista; mas no Windows 7 foi expandida, de várias maneiras. Agora cada
janela aberta naquele programa é incluída separadamente nessa
visualização prévia. Se você passar o mouse sobre uma janela nessa
telinha de visualização, ela aparece em tamanho grande na tela do
computador e todas as outras janelas ficam transparentes, parte de um
recurso chamado "Aero Peek". Basta clicar nessa janela, e ela já
aparece pronta para o uso. Você pode até fechar janelas a partir dessas
visualizações prévias, ou rodar programas de mídia dentro delas.
Também
se pode usar o Aero Peek a qualquer momento para ver a sua área de
trabalho vazia, com as janelas abertas reduzidas a vidraças virtuais.
Para fazer isso, basta passar o mouse sobre um pequeno retângulo na
extremidade direita da barra de tarefas.
Os
ícones da barra de tarefas também oferecem "Jump Lists", que são menus
do tipo "pop up" com listas de ações freqüentes ou de arquivos recentes
usados pelo programa.
Organização de arquivos
No
Windows Explorer, a coluna da esquerda agora inclui um recurso chamado
Libraries (bibliotecas). Cada biblioteca - Documentos, Músicas, Imagens
e Vídeos - consolida todos os arquivos de cada tipo, ainda que estejam
guardados em diferentes pastas ou discos rígidos.
Toque
Alguns
dos comandos por gestos e toques popularizados pelo iPhone estão
incluídos no Windows 7. Mas é provável que esses recursos não se
popularizem por algum tempo, pois para aproveitá-los ao máximo o
computador precisa ter um tipo especial de tela sensível ao toque, que
vai além da maioria das existentes.
Testei
o sistema em um laptop Lenovo que tem uma tela assim, e consegui mover
as janelas pela tela, examinar fotos, aumentá-las e diminuí-las, e
fazer outras coisas também.
Compatibilidade
Experimentei
vários softwares fabricado por terceiros e todos rodaram perfeitamente
em todas as máquinas com o Windows 7. Os programas incluíram o Firefox,
da Mozilla; o Adobe Reader; Picasa e Chrome, do Google; e iTunes e Safari da Apple.
Também
testei diversos hardwares e, ao contrário do que acontecia com o Vista,
o Windows 7 rodou bem em várias máquinas. Incluem-se nos testes uma
impressora H-P em rede, uma câmera Canon, um iPod nano, e pelo menos
cinco diferentes flash drives e discos rígidos externos.
Requisitos de sistema e preços
Quase
todos os PCs com Vista, e máquinas com XP mais novas ou mais potentes
devem conseguir rodar o Windows 7 sem problemas. Até mesmo os netbooks
que testei rodaram o programa rapidamente, em especial usando a versão
Starter Edition, que vem sem alguns efeitos gráficos poderosos do
sistema operacional. (Outros netbooks poderão rodar outras versões.)
Se
você tem um PC padrão, o chamado PC de 32 bits, vai precisar de pelo
menos 1 gigabyte de memória, 16 gigabytes de espaço livre no disco
rígido e um sistema gráfico compatível com a tecnologia da Microsoft,
chamado DirectX 9, com driver WDDM versão 1.0 ou mais. Também precisará
de um processador com velocidade de pelo menos 1 gigahertz. Se seu PC é
um modelo mais novo, o de 64 bits, que pode usar mais memória, vai
precisar de pelo menos 2 gigabytes de memória e 20 gigabytes de espaço
livre em disco. Em todo caso, recomendo dobrar as especificações de
memória.
No Brasil,
onde as diferentes versões do programa mantêm os nomes em inglês, a
verão Basic vai ser vendida por R$ 329, a Premium por R$ 399, a
Profesional, R$ 629 e a Ultimate, R$ 669. Esta última é mais para
profissionais de informática. Para a maioria das pessoas, a versão
Premium é a mais recomendada.
Conclusão:
o Windows 7 é um sistema operacional muito bom, muito versátil, que
deve ajudar a Microsoft a enterrar a lembrança do Vista e deixar os
usuários de PC mais felizes.
Fonte: Valor Economico